Never give up your dreams
— O que foi?
Perguntei, tentando disfarçar o jeito que aquele olhar mexia comigo.
— Você tem estado tão diferente… Bem, não consigo te entender. Nada em você tem feito sentido pra mim.
Ninguém nunca seria capaz de entender como seu olhar me faz derreter, o efeito calmante do seu sorriso, o toque que me faz formigar, a voz que silencia o mundo…
— Acho que essa bebida está mexendo um pouco com sua cabeça. Talvez seja hora de parar.
— Só estou… — deu uma pausa e então, continuou — tão cansando disso tudo, Amie.
— Disso tudo o quê?
Perguntei, mesmo sabendo a resposta. Ele estava me encarando com uma expressão nervosa no rosto, que estava me deixando confusa sobre o que fazer a seguir.
— Você pode me mostrar. — sussurrei.
Ele deu um risinho meio nervoso, estávamos entrando em um território ainda não desbravado da nossa amizade. Nossos lábios estavam tão perto agora. Ele não disse nada, mas eu podia sentir sua respiração bem próxima da minha. Abaixei as pálpebras e me aproximei lentamente, me sentindo mais petrificada a cada instante. Fui esquecendo de respirar aos poucos. Inclinei a cabeça em direção à dele. E esperei. O beijo que eu tanto ansiava não veio. Abri os olhos, porque nada havia acontecido, exceto pelo farfalhar das ondas quebrando no mar. Eu estava sozinha. Nenhum sinal de Luke. Ele não estava mais lá. (s-uperar)
"Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."
indirect: